Introdução
Aqui está uma pergunta que ouvimos com frequência: "Devemos avançar já para o Marketing Cloud Next ou esperar?" A resposta honesta? Depende. E não é uma resposta evasiva — é que a decisão depende genuinamente do ponto onde a vossa organização está neste momento.
Em 2026, o Marketing Cloud Next representa uma mudança real na forma como as empresas trabalham marketing digital, dados e relacionamento com clientes. Mais do que uma evolução natural do Salesforce Marketing Cloud, esta nova geração introduz um modelo baseado em dados unificados, automação inteligente e agentes de IA autónomos.
Mas a questão central não é "o que a tecnologia faz". É "quando faz sentido adotá-la, com que objetivos e com que maturidade organizacional". É aí que o Marketing Cloud Next deixa de ser apenas tecnologia e passa a ser uma decisão estratégica.
Do Marketing Automatizado ao Marketing Agentivo
Uma das mudanças mais relevantes é o conceito de marketing agentivo. Em vez de fluxos rígidos e campanhas estáticas, surgem agentes de IA autónomos — os Agentforce — capazes de executar, ajustar e otimizar ações de marketing com base em dados em tempo quase real.
Na prática, estes agentes podem apoiar a criação de campanhas, adaptar conteúdos, ajustar segmentações e otimizar performance ao longo do tempo. Parece bem, certo? E é. Mas há um pormenor crítico que precisamos de deixar claro desde já.
Os agentes não substituem estratégia nem conhecimento de negócio
Funcionam melhor — muito melhor — em organizações que já têm objetivos bem definidos, modelos de dados coerentes, regras claras de governance e alinhamento entre marketing, vendas e serviço. Sem estas bases, a automação apenas acelera ineficiências. E ninguém quer automatizar o caos.
Dados Unificados como Fundamento (e não como promessa)
O Marketing Cloud Next assenta numa integração profunda com o Data Cloud, permitindo criar uma visão unificada do cliente a partir de múltiplas fontes: CRM, canais digitais, plataformas transacionais e sistemas externos.
Esta abordagem — frequentemente designada como "Data 360" — desbloqueia segmentação mais precisa, scoring dinâmico e ativação em tempo real. Até aqui, nada de novo no discurso. O problema é que unificar dados é tanto um desafio organizacional como tecnológico.
Modelação de dados, qualidade da informação, definição de ownership, regras de sincronização — tudo isto são fatores determinantes para o sucesso. E no contexto B2B, onde as decisões raramente são individuais e envolvem múltiplos contactos ao longo de ciclos longos, isto torna-se ainda mais relevante.
A plataforma consegue fazer isto tecnicamente? Sim. Mas alguém tem de definir o que é um "cliente único" na vossa organização. E essa conversa é mais difícil do que parece.
Automação e Jornadas: Agilidade com Controlo
A evolução das ferramentas de automação — incluindo Flow Builder e integração com CMS e Experience Cloud — permite criar jornadas mais rapidamente e com maior flexibilidade do que no passado.
Isso traduz-se em menor dependência de equipas técnicas para alterações simples, maior consistência entre canais e capacidade de reagir mais rapidamente ao comportamento do cliente. É uma mudança operacional que liberta tempo e reduz fricção.
Ainda assim, rapidez não deve ser confundida com ausência de método. Jornadas eficazes continuam a exigir desenho consciente de pontos de contacto, definição clara de eventos e gatilhos, alinhamento com processos comerciais e de serviço.

A tecnologia acelera, mas o desenho continua a ser humano.
Personalização em Tempo Real: Potencial Elevado, Maturidade Exigida
A personalização dinâmica suportada por Agentforce permite ajustar conteúdos, mensagens e ofertas com base no comportamento do utilizador, contexto e intenção. Quando funciona bem, a experiência é notoriamente melhor.
Este nível de personalização é particularmente poderoso quando os dados estão atualizados, as regras de negócio são claras e existe uma estratégia de conteúdo bem definida. Sem estes elementos, o risco é criar experiências inconsistentes ou irrelevantes — altamente automatizadas, mas pouco eficazes.
Análise e Otimização Contínua com Dados Acionáveis
A integração com Tableau e capacidades analíticas avançadas permite monitorizar campanhas enquanto estão em execução, ajustando investimentos, segmentações e mensagens em tempo útil.
Este modelo favorece decisões baseadas em dados reais, aprendizagem contínua e melhoria progressiva de performance. Mais uma vez, a tecnologia disponibiliza insights — mas é a interpretação estratégica que gera valor. Saber que uma campanha está a ter 12% de conversão é informação. Perceber porquê e o que fazer a seguir é inteligência.

Privacidade, Consentimento e Confiança
Num contexto regulatório cada vez mais exigente, o Marketing Cloud Next incorpora mecanismos robustos de gestão de consentimento e preferências, alinhados com regulamentações como o RGPD.
Mais do que um requisito legal, esta dimensão deve ser vista como um ativo de confiança: transparência na utilização de dados, controlo por parte do utilizador e comunicação mais relevante e respeitosa. Num mundo saturado de mensagens, respeito é diferenciação.
O Que Muda, de Forma Realista, para as Organizações
A adoção do Marketing Cloud Next não é um "salto tecnológico imediato", mas sim um percurso faseado. Normalmente passa por estas etapas:
- Consolidação e qualidade dos dados
- Automação de jornadas críticas
- Integração com vendas e serviço
- Introdução progressiva de agentes autónomos
As organizações que retiram maior valor são aquelas que encaram esta plataforma como parte de uma transformação operacional e cultural, e não apenas como uma ferramenta de marketing. É uma mudança de mentalidade, não só de software.
Conclusão
Tecnologia Avançada Exige Maturidade Estratégica
O Marketing Cloud Next representa uma nova geração de plataformas de marketing — mais inteligentes, mais integradas e com maior capacidade de adaptação em tempo real. Isso é factual.
No entanto, o seu verdadeiro impacto depende menos das funcionalidades e mais da forma como é implementado, governado e alinhado com o negócio. Para as empresas, o desafio não é apenas adotar IA, automação e dados unificados. É decidir quando, como e com que objetivos o fazem.
É nesse equilíbrio entre tecnologia, estratégia e execução que reside o sucesso sustentável do marketing digital em 2026. E é exatamente aí que um parceiro consultivo — e não apenas um implementador técnico — faz toda a diferença.
Se está a avaliar se a vossa organização está preparada para este passo, ou se faz sentido dá-lo agora, vale a pena conversarmos. Sem pressão, sem pitch — apenas uma conversa honesta sobre onde estão e para onde faz sentido ir.
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